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quinta-feira, 18 de julho de 2013

"MUNDO" - China impede crianças com deficiência de terem acesso à educação, informa organização de direitos humanos

De acordo com relatório, escolas estão barrando estudantes com autorização do governo


Segundo a organização, governo chinês passou diretrizes que permitem a instituições de ensino restringir ou barrar o acesso de estudantes com deficiências físicas ou mentais


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Crianças com deficiência enfrentam obstáculos significantes no acesso à educação na China, e um número considerável delas sequer recebe instrução. É o que aponta relatório do Human Rights Watch, organização internacional independente voltada à defesa e à proteção dos direitos humanos.

De acordo com informações publicadas no site da organização, o governo chinês passou diretrizes que permitem às universidades restringir ou barrar o acesso de candidatos e estudantes com determinados tipos de deficiências físicas ou mentais.

Segundo apurou a organização junto ao governo local, existem pelo menos 83 milhões de pessoas na China com algum tipo de deficiência. Mais de 40% delas são analfabetas. Ainda de acordo com o relatório, enquanto o governo chinês tenta mostrar que todas as crianças estão matriculadas na escola primária, entre as  deficientes, segundo o relatório, 28% não têm acesso à educação à qual teriam direito.
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O documento, de 75 páginas, informa quais são os problemas enfrentados por crianças e jovens com algum tipo de deficiência nas grandes escolas de suas comunidades. O material foi baseado em mais de 60 entrevistas, em sua maioria com crianças e jovens portadores de deficiência e seus pais, além de tomar como base dados do governo.

O governo chinês adotou regulamentações e regras para a educação de portadores de deficiência, prometeu aumentar a taxa de matrícula de crianças e cancelou mensalidades escolares para algumas delas. No entanto, segundo o relatório, algumas escolas estão negando a admissão desses estudantes, pressionando-os para sair ou até mesmo deixando de fornecer salas de aula apropriadas para ajudá-los a superar as barreiras relacionadas às suas deficiências.

Sophie Richardson, diretora da Human Rights Watch na China, confirmou que as escolas têm recusado o atendimento às crianças com deficiência.

— As crianças com deficiência têm direito de serem atendidas em escolas regulares como todas as outras crianças, e têm direito a suporte para suas necessidades específicas de aprendizagem. Mas em vez disso, algumas escolas falham ou simplesmente recusam providenciar a esses estudantes o que eles precisam.

Em uma decisão importante, o governo chinês confirmou A Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência (ou CRPD, na sigla em inglês) em 2008, que obriga o desenvolimento de um sistema de educação inclusivo no qual o modelo é totalmente acessível a crianças com deficiência e no qual elas brincam e aprendem juntamente com outras crianas. Pesquisas revelaram que estudantes portadores ou não de deficiência obtêm melhores resultados acadêmicos em ambientes inclusivos, quando recebem suporte adequado.

Atualmente, crianças deficientes são excluídas das escolas regulares a menos que consigam demonstrar "habilidade para se adaptar" ao ambiente físico e ao modelo de ensino das instituições. Embora um modelo inclusivo não possa ser estabelecido da noite para o dia, o governo chinês não possui uma estratégia clara e consistente na direção da inclusão, e emprega poucos recursos para educar estudantes com deficiência nas escolas regulares.

O estudo revela também a falência da Federação Chinesa das Pessoas com Deficiência e do ministro da Educação local, em combater a discriminação, garantir acomodação razoável nas escolas regulares e informar pais e crianças com deficiências de seus direitos e opções educacionais.

A organização internacional afirma que a China descumpre o estabelecido na Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência) e pede que o governo local estabeleça uma política de acomodações em sala de aula de acordo com a convenção, que apresente um mecanismo de monitoramento e forneça uma reparação efetiva em casos de discriminação, além de desenvolver programas de extensão para apoiar os pais das crianças com deficiência para que sejam informados sobre os direitos de seus filhos e opções de educação.

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terça-feira, 16 de julho de 2013

"MUNDO" - Putin diz ver sinais de que Snowden vai parar atividades contra os EUA

Edward Snowden se tornou fugitivo por vazar informações da agência de espionagem norte-americana


O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira (15) ver sinais de que Edward Snowden, o ex-prestador de serviços da agência de espionagem dos Estados Unidos que se tornou fugitivo por vazar informações, estava mudando de posição no sentido de parar a "atividade política" direcionada contra os EUA.
Putin, que anteriormente havia se recusado a entregar Snowden às autoridades norte-americanas, também disse que a situação do ex-prestador de serviços continua sem solução.
O presidente também acusou os Estados Unidos de manterem Edward Snowden bloqueado em território russo.
— Eles mesmos assustaram o restante dos países. Ninguém quer acolhê-lo. Assim, no final das contas, eles mesmos o bloquearam [Snowden] em nosso território.
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O mandatário russo acrescentou: "Eles nos deram esse presente, de Natal". Snowden "chegou a nosso território sem convite. Não veio conosco. Voava para outro país. Mas tão logo souberam que estava no ar, nossos parceiros americanos bloquearam suas futuras escalas", disse.
Durante um encontro com estudantes na região de Leningrado, o chefe do Kremlin reconheceu que o caso "por enquanto está no limite".
— Mas assim que surgir a possibilidade de ir a algum lugar, ele, subentende-se, o fará. Afinal de contas, ele quer ir para um lugar de residência permanente. Quer residir em outro país.
O líder russo lembrou a condição que ele mesmo impôs ao fugitivo americano desde sua chegada ao aeroporto moscovita de Sheremetyevo: suspender as atividades contra os interesses de Washington. "Ele conhece bem a condição para a concessão de asilo político.
A julgar por suas últimas declarações, parece que mudou de postura. A situação ainda não se esclareceu totalmente", analisou. Putin se referia a um primeiro momento em que Snowden renunciou a solicitar asilo na Rússia devido à condição imposta pelo chefe do Kremlin, mas na sexta-feira o jovem voltou a manifestar sua intenção de solicitar refúgio no país.
— Temos uma relação com os Estados Unidos. Não queremos que o senhor com seu trabalho prejudique nossas relações com os EUA. Ele disse que não. 'Atreva-se, estou falando sério.
Putin acrescentou: "Ele disse: quero continuar meu trabalho, quero lutar pelos direitos humanos. Considero que os EUA violam leis concretas, internacionais, interfere na vida privada e meu objetivo hoje é lutar contra isso".